Sindsaúde participa de audiência pública sobre o CRDT e debate medidas para evitar a desassistência aos usuários e trabalhadores
Nessa terça-feira (10), o Sindsaúde participou da audiência pública sobre o desmonte do Centro de Referência em Diagnóstico e Terapêutica (CRDT) de Goiânia para debater com a população os desafios no atendimento aos pacientes com doenças infectocontagiosas e dos trabalhadores da unidade. A discussão ocorreu na Câmara Municipal, às 19h, e foi promovida pelos vereadores Fabrício Rosa e Edward Madureira, com participação de representantes do deputado estadual e diretor do Sindsaúde, Mauro Rubem.
Entendimento
O Sindsaúde entende que é importante relembrar um histórico desse desmonte. Ele começou a partir de 2018, quando a gestão municipal desalojou o CRDT do Setor Norte Ferroviário para atender a interesses da especulação imobiliária do governo estadual.
O local foi realojado no Setor Sul, em estrutura precária, o que levou a denúncia do Sindsaúde no Ministério Público Estadual sobre esse funcionamento em péssimas condições, apesar dos altos repasses financeiros, e também sobre o aluguel de um espaço extra que não estava sendo usado. A denúncia protocolada foi, infelizmente, arquivada.
Com a gestão seguinte, de 2020 a 2024, aluguéis foram atrasados, o que gerou ameaças de despejo. A nova gestão da prefeitura, em 2025, continuou essa prática e o que ocorreu foi o despejo de fato. O surpreende é que a administração atual da prefeitura estava ciente do possível despejo desde abril e não formulou um plano de contingência para evitar as consequências desastrosas para usuários e servidores do CRDT.
Diante desse cenário, o principal entendimento do Sindsaúde é que a nova administração da prefeitura só trouxe mudanças em discurso, é o que alerta o diretor do Sindsaúde e da Fenacsaúde, Ricardo Manzi.
“Apesar da administração atual promover o discurso que a prefeitura está sob nova direção, prevalecem velhas práticas como a falta de diálogo com os movimentos populares, com entidades sindicais, com os usuários e a falta de transparência em relação às ações praticadas. A consequência desses atos foi o prejuízo aos atendidos pelo CRDT, que são principalmente pessoas com HIV e outra doenças infecciosas” lamentou Manzi.
O que está por trás do desmonte?
O desmonte do CRDT, seguido pela descentralização dos serviços, está por trás de uma lógica muito maior: a de sucateamento da saúde pública municipal. Dificulta-se o acesso de usuários a serviços fundamentais para o tratamento de doenças, pioram-se as condições de trabalho dos responsáveis por esses serviços para ser justificada a necessidade de terceirização desses serviços com Organizações Sociais.
A luta constante do Sindsaúde é para que tais serviços não sejam entregues à iniciativa privada, que sobrecarrega trabalhadores, precariza serviços, não cumpre com os direitos trabalhistas, coloca gestores não qualificados e desvia do objetivo de alcançar o Sistema de Saúde 100% público, universal e de qualidade.
Medidas
O Sindsaúde acredita ser indispensável envolver todos os órgãos de deliberações e controle da saúde pública, a exemplo do Conselho Municipal de Saúde, Tribunal de Contas dos Municípios, Ministério Público Estadual, para ser possível pensar em diversas estratégias para o atendimento dos usuários prejudicados e para o cumprimento das atividades e condições dignas de trabalho aos trabalhadores e trabalhadoras do CRDT.
Levando em conta tudo isso, uma das propostas do Sindsaúde é que os serviços do CRDT sejam transferidos para um mesmo local, provisório, para evitar a dispersão de serviços para locais diferentes que dificultam a logística de transporte de trabalhadores e usuários. Uma sugestão é que seja reformada a unidade do Ciams Pedro Ludovico, que está desativada, para abrigar a nova sede do CRDT.