Sindicatos de Goiânia rejeitam proposta de data-base abaixo da inflação e cobram negociação legítima com as entidades sindicais
O anúncio de reajuste salarial de 4,26% e parcelado em quatro vezes para os servidores públicos municipais de Goiânia, feito de forma extraoficial pela vice-prefeita Coronel Cláudia Lira, por meio de um vídeo gravado ao lado do Sindgoiânia, na última sexta-feira (29), intensificou ainda mais a insatisfação dos servidores do município e das entidades sindicais que compõem o Fórum Sindical dos Servidores Públicos Municipais.
Diante disso, o Fórum encaminhou ofício ao prefeito Sandro Mabel, nessa terça-feira (2), repudiando a proposta e apresentando uma contraproposta, documento que também será levado à Câmara de Vereadores. A reivindicação dos servidores é de recomposição total das perdas inflacionárias no índice de 5,12%, percentual que inclui a soma do IPCA do último período de 4,39% com a diferença de 0,7% não paga em 2025, devendo ser paga em parcela única.
Para as entidades a medida apresentada pela vice-prefeita é injusta, prejudicial e em desacordo com a legislação municipal. O índice da proposta divulga está abaixo da inflação acumulada medida pelo IPCA entre maio de 2025 e abril de 2026, que atingiu 4,39%. A diferença, embora aparentemente pequena, representa mais uma perda salarial para os trabalhadores, que já acumulam prejuízos de anos anteriores. Em 2025, a data-base também foi concedida abaixo da inflação, com defasagem de 0,7%, o que consolida uma política contínua de arrocho salarial.
Outro ponto duramente criticado é o parcelamento do reajuste até outubro de 2026. Para o Fórum, a medida amplia ainda mais as perdas financeiras, ao diluir uma recomposição que já não cobre sequer a inflação do período. “O parcelamento proposto, até outubro de 2026, agrava ainda mais o cenário, estendendo uma recomposição já insuficiente ao longo do tempo, o que resulta em prejuízos acumulados aos vencimentos e à dignidade dos trabalhadores municipais”, aponta o ofício.
As entidades ainda destacam que a proposta representa um retrocesso nas políticas de valorização dos trabalhadores e alertam para os impactos diretos na qualidade dos serviços públicos prestados à população. “Desvalorizar os servidores é comprometer o atendimento à sociedade”, reforçam.
Nesse sentido, o Fórum Sindical traz como argumento que o reajuste reivindicado está dentro do limite prudencial possível da Lei de Responsabilidade Fiscal que é de 10,84%, conforme o estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Além do conteúdo da proposta, a forma extraoficial como o anúncio foi conduzido na rede social da vice-prefeita Coronel Cláudia Lira também gerou críticas contundentes. O Fórum Sindical ressalta que o Sindgoiânia não representa o conjunto dos servidores municipais de Goiânia e não integra o Fórum, que é composto por 13 entidades sindicais legítimas das diversas categorias do funcionalismo público municipal.
Para as entidades sindicais, a tentativa de legitimar a proposta por meio de um sindicato que não representa a totalidade dos trabalhadores evidencia uma estratégia de enfraquecimento da representação coletiva e de desrespeito às instâncias legítimas de negociação.
Por isso, o Fórum também exige a abertura urgente de uma mesa de negociação com a participação das entidades legítimas que representam os servidores da ativa, aposentados e pensionistas, visando discutir também outras pautas de interesse conjunto dos servidores, como a questão da previdência municipal. As entidades estabeleceram prazo de cinco dias úteis para resposta formal do Executivo e alertam que, diante da ausência de diálogo, poderão deflagrar um movimento paredista.