Sindsaúde contesta declaração do prefeito Sandro Mabel de que gastos com pessoal podem atingir limite de alerta da LRF

 Sindsaúde contesta declaração do prefeito Sandro Mabel de que gastos com pessoal podem atingir limite de alerta da LRF

A declaração do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, nessa segunda-feira (6), durante a prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2026, de que os reajustes da data-base deste ano levariam o município ao limite de alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é incoerente com os dados do Relatório de Gestão Fiscal da própria Prefeitura.

O estudo técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta que há margem para assegurar o direito dos trabalhadores e trabalhadoras sem qualquer irregularidade fiscal, já que o comprometimento da Receita Corrente Líquida (RCL) com despesas de pessoal está em 46,28%, índice abaixo do limite prudencial da LRF, que é de 51,3%, e também distante do limite máximo, de 54%. Isso desmonta a narrativa de risco imediato apresentada pelo Executivo municipal.

Data-base injusta e direitos negados

A principal reivindicação dos servidores é de recomposição total das perdas inflacionárias no índice de 5,12%, percentual que inclui a soma do IPCA do último período de 4,39% com a diferença de 0,7% não paga em 2025. No entanto, o projeto de lei enviado à Câmara pelo executivo, que já foi aprovado em primeira votação, prevê um reajuste de 4,26%, que ainda será pago em pago em duas parcelas até agosto, sendo a primeira parcela de 2,26% e a segunda de 2%.

O levantamento do Dieese, demonstra que o município ainda possui margem de 10,84% dentro do limite prudencial, o que permitiria a concessão de uma data-base justa. Mesmo em um cenário mais extremo, o estudo aponta possibilidade de reajuste de até 16,67% antes de atingir o limite máximo legal.

Além disso, os cálculos evidenciam que, em termos nominais, Goiânia poderia ampliar os gastos com pessoal em até R$ 447,1 milhões sem ultrapassar o limite prudencial, chegando a R$ 687,7 milhões dentro do teto máximo da LRF. Esses números reforçam que não há impedimento técnico para garantir a recomposição salarial que foi reivindicada pelas categorias e muito menos que o limite de alerta da LRF pode ser atingido com o percentual da data-base que será concedido.

Diante do contexto apresentado pelo município na prestação de contas, a gestão alega que pretende requalificar os gastos com pessoal. Para o Sindsaúde, o discurso de contenção apresentado pelo executivo municipal não se sustenta diante dos próprios dados oficiais e qualquer debate sobre reorganização fiscal precisa passar, antes de tudo, pelo respeito aos direitos básicos do funcionalismo, incluindo a data-base.

“A Lei de Responsabilidade Fiscal não proíbe reajustes, mas estabelece parâmetros que, neste momento, estão longe de serem ultrapassados. O que existe é uma escolha política que não prioriza a valorização os trabalhadores e trabalhadoras que sustentam os serviços públicos”, afirma o vice-presidente do Sindsaúde, Ricardo Manzi.

O Sindsaúde denuncia que a tentativa da gestão de criar um cenário de crise não se confirma nos números oficiais e reforça que seguirá mobilizado em defesa de uma recomposição salarial justa com base na inflação, conforme determina a lei, bem como dos demais direitos negligenciados pela gestão, como a progressão do plano de carreira; pagamento das diferenças de quinquênio e titulação; correção da tabela dos Auxiliares de Saúde; a inclusão dos ACSs e ACEs no plano de carreira; dentre outros.

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