Sindsaúde se posiciona contra tentativa de privatização do Imas em contrato de 12 milhões e cobra gestão pública eficiente
A presença do prefeito Sandro Mabel no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), na última quarta-feira (1º), para pedir a liberação de um contrato de R$ 12 milhões envolvendo o Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores (Imas), escancarou mais um capítulo preocupante sobre o futuro do instituto.
Na ocasião, o relator do processo no TCM indicou a necessidade de mais tempo e novas sessões para aprofundar a análise do caso. O contrato não foi homologado porque o município foi impedido por decisão liminar.
O movimento da Prefeitura, no entanto, acende o alerta para o que o Sindsaúde considera como uma tentativa contínua de terceirização como tem ocorrido no SUS e agora se estende a essa possível privatização do Imas. Em vez de enfrentar os problemas estruturais do instituto com soluções públicas e permanentes, a gestão municipal insiste em medidas que abrem caminho para a transferência da gestão a interesses privados.
Nos últimos anos, o Sindsaúde tem atuado de forma constante na defesa do Imas enquanto patrimônio dos servidores municipais. O sindicato participou de protestos, assembleias, audiências públicas na Câmara Municipal e reuniões com o Ministério Público, denunciando o sucateamento do instituto e cobrando sua reestruturação com base na gestão pública. Além disso, o Sindsaúde também integra o Conselho de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia (Conas), reforçando seu papel na fiscalização e no controle social.
Outro ponto central ignorado pela atual gestão é a auditoria realizada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), que já apresentou um diagnóstico detalhado da situação do Imas e indicou caminhos concretos para sua recuperação. O estudo demonstrou que os problemas do instituto não estão relacionados à falta de recursos, mas sim à má gestão, à ausência de planejamento e à falta de vontade política para implementar mudanças estruturais.
Para o Sindsaúde, a insistência em contratos e modelos de terceirização repete um erro que já vem sendo observado na saúde pública: a promessa de eficiência que, na prática, resulta em precarização dos serviços e perda de controle público. “Não é terceirizando que vamos resolver os problemas do Imas. O que está em curso é um projeto que privilegia interesses privados e desresponsabiliza o poder público”, afirma a presidenta do Sindsaúde, Néia Vieira.
Néia destaca que a categoria seguirá mobilizada diante de qualquer tentativa de entrega do instituto à iniciativa privada. “Nós já denunciamos o descaso com o Imas em todos os espaços possíveis: nas ruas, nas audiências e nos conselhos. Existe diagnóstico, existe solução. O que falta é compromisso da gestão em fortalecer o Imas como um serviço público de qualidade. Não vamos aceitar a privatização disfarçada de solução”, enfatiza a presidente do Sindsaúde.
Diante do cenário, o Sindsaúde convoca os servidores municipais e a sociedade a acompanharem de perto a tramitação do processo no TCM. A defesa do Imas é a defesa do direito à saúde dos servidores e da valorização do serviço público. A luta segue firme contra qualquer tentativa de transformar esse direito em mercadoria.