Estudo do Dieese aponta que prefeitura tem margem para aplicação correta da data-base
Um estudo realizado neste mês pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que a prefeitura de Goiânia tem condições de pagar data-base de 5,12%, valor mais justo para recomposição de perdas salariais e diferente do proposto pela gestão municipal.
De acordo com o levantamento, a Administração pode aumentar seus gastos com pessoal em até 10,84% em 2026. Isso equivale a um investimento de R$ 447.109.379 com os(as) trabalhadores(as), sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
A superintendente regional do Dieese e economista, Leila Brito, pontua as conclusões do estudo.
“Os cálculos realizados pelo Dieese são transparentes e baseados em dados oficiais. Eles demonstram que a prefeitura possui margem financeira para avançar na valorização dos servidores públicos por meio da aplicação correta da data-base. Trata-se de uma medida que não apenas respeita um direito dos(as) trabalhadores(as), mas também reconhece a importância dos serviços prestados à população. Os números mostram que é possível conciliar responsabilidade fiscal com valorização profissional, desde que haja vontade política para cumprir aquilo que a legislação prevê” destaca Leila.
Os cálculos foram feitos com base no último relatório de Gestão Fiscal publicado pela Administração, o qual demonstra que o Gasto de Pessoal e Encargos em relação a Receita Corrente Líquida está em 46,28%. A estatística leva em consideração a receita corrente líquida do município informada pela Administração, os investimentos em pessoal e o quanto isso representa de percentual comprometido da receita, assim como os reajustes possíveis dentro do limite prudencial e limite máximo.
Confira o calculo na tabela anexada ao final da matéria.
Desvalorização
A data-base paga pela prefeitura em 2025 esteve 0,7% abaixo do que era indicado pelo índice do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2026, além dessa perda acumulada, a gestão municipal tenta mais uma vez aplicar percentual menor,4,26%, pago em quatro parcelas.
Diante disso, o Fórum Sindical dos Servidores de Goiânia, do qual o Sindsaúde faz parte, encaminhou ofício nessa terça-feira (2) repudiando a proposta e cobrando a reposição integral das perdas inflacionárias, bem como uma negociação legítima com as entidades sindicais. O documento cobra uma data-base de 5,12%, incluindo os 0,7% ignorados anteriormente e índice oficial da inflação de 4,39%, considerando-se o IPCA acumulado no período de maio de 2025 a abril de 2026.