Sindsaúde avança na justiça: MPGO pede nulidade de decreto da Prefeitura de Goiânia que retira direitos dos(as) trabalhadores(as)

 Sindsaúde avança na justiça: MPGO pede nulidade de decreto da Prefeitura de Goiânia que retira direitos dos(as) trabalhadores(as)

O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) se manifestou na ação civil pública ajuizada pelo Sindsaúde contra o município de Goiânia, que tramita no Tribunal de Justiça, contra as medidas do Decreto nº 27/2025, que determinou a suspensão de gratificações, adicionais e licenças previstas em lei, atingindo diretamente a remuneração e os direitos dos trabalhadores.

No parecer juntado ao processo, nesse último mês de maio, o MPGO se posicionou, de forma contundente, favorável ao recurso apresentado pelo sindicato, reconhecendo a nulidade das disposições do decreto, editado pela Prefeitura de Goiânia, que suspendeu direitos e vantagens dos servidores públicos da saúde.

Embora a intervenção do MPGO represente um avanço para que uma vitória dos trabalhadores da saúde comece a se desenhar no campo jurídico, a decisão final que pode confirmar a nulidade do Decreto nº 27/2025 ainda está sujeita ao julgamento do poder judiciário.

Para a presidente do Sindsaúde, Néia Vieira, a manifestação do Ministério Público reforça a legitimidade e a importância da atuação do Sindsaúde/GO na defesa intransigente dos trabalhadores e trabalhadoras do SUS. “A mobilização jurídica e política do sindicato é fundamental na luta pelos direitos da categoria. Apesar de uma decisão em primeira instância desfavorável, o Sindsaúde não recuou. Agora, com esse parecer do MPGO, seguimos mais fortalecidos e acreditamos que as perdas impostas pela Prefeitura aos trabalhadores podem ser revertidas”, destacou Néia.

Decreto extrapolou a lei e atacou direitos

Na ação, o Sindsaúde denuncia que o decreto violava princípios constitucionais, como a irredutibilidade salarial, o direito adquirido e a legalidade administrativa. Para o MPGO a medida extrapolou os limites do poder regulamentar ao promover a suspensão generalizada de vantagens previstas em lei, o que só poderia ocorrer por meio de processo legislativo.

O documento juntado pela procuradora Villis Gomes é categórico ao afirmar que a Prefeitura não poderia reduzir a remuneração, destacando que as gratificações atingidas, ainda que vinculadas ao desempenho, são pagas de forma contínua e integram a estrutura remuneratória dos trabalhadores, não podendo ser retiradas de forma abrupta.

Além disso, o MPGO reforça que dificuldades financeiras não autorizam a supressão de direitos garantidos em lei. Para o órgão, existem mecanismos legais próprios para enfrentar crises fiscais, e o uso de decreto para esse fim representa um “atalho incompatível com o Estado de Direito”.

Calamidade questionada e incoerente

Outro ponto central destacado na ação inicial ajuizada pelo Sindsaúde é a fragilidade do decreto de calamidade pública Decreto nª 28/2025, utilizado pela gestão municipal para justificar as medidas do Decreto nº 27/2025.

O que se observa, na prática, é o uso político da “calamidade” como instrumento para impor cortes e retirar direitos dos trabalhadores, sem o devido respaldo legal e técnico, já que a declaração carece de fundamentação consistente e se mostra incoerente, inclusive diante de análises técnicas do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO) que não confirmaram um cenário de colapso financeiro.

Por isso, o MPGO destaca em seu parecer que “a alegação de dificuldades financeiras, embora relevante no plano da gestão pública, não possui o condão de afastar a incidência de direitos assegurados por lei”.

Contudo, o Sindsaúde segue firme, mobilizado e vigilante. A decisão final ainda está por vir, mas o alerta é constante: direitos não são concessões, são conquistas e não podem ser retirados por decreto.

Outras Notícias

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leitor de Página Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud