Após Mabel anunciar R$ 6 milhões para clubes de futebol, Sindsaúde cobra prioridade para a Saúde que enfrenta crise e corte de aproximadamente R$ 6 milhões
O Sindsaúde/GO manifesta preocupação e cobra da Prefeitura e da Câmara de Goiânia prioridade para os serviços essenciais após o anúncio de R$ 6 milhões para os clubes de futebol Atlético Goianiense, Goiás e Vila Nova.
O Sindicato reconhece a importância do futebol e do incentivo ao esporte, mas questiona essa destinação de recursos públicos enquanto a rede municipal de saúde enfrenta falta de medicamentos, insumos e equipamentos, déficit de profissionais, contratos precarizados, desvalorização dos servidores com direitos negligenciados, tais como:
• Data-base de 2025 abaixo da inflação e sem retroativo;
• Data-base de 2026 abaixo da inflação e parcelada;
• Progressões do Plano de Carreira atrasadas;
• Proposta de solucionar as progressões sem pagamento dos retroativos;
• Necessidade de correção na tabela de progressão dos Auxiliares de Saúde (Grau I)
• Quinquênios não pagos (LC 191/2022);
• ACS e ACE sem as mesmas progressões e percentuais previstos aos demais profissionais da saúde
• Negativa de férias e licenças-prêmio;
• Falta de atendimentos pelo Imas, apesar do desconto mensal no contracheque dos(as) trabalhadores(as).
Em meio a isso, o executivo de Goiânia determinou, recentemente, uma limitação de recursos para a pasta da Saúde. Um documento da própria SMS apontou redução de cerca de R$ 6 milhões por mês e alertou para possíveis impactos em plantões e atendimentos. Diante disso, o TCM-GO concedeu cautelar para impedir prejuízos nos serviços de saúde à população, levando em consideração que a média de aplicação dos recursos na capital vem sendo muito próxima do mínimo de 15% da receita em saúde exigido pela constituição.
Além disso, o MPGO já identificou problemas relacionados à falta de medicamentos, insumos, equipamentos e exames essenciais na rede após inspeções nas unidades de saúde e emitiu duas recomendações para que o município regularize a situação. Na última semana, o MPGO levou o caso à Justiça, que determinou prazo para a manifestação do Município, do prefeito Sandro Mabel e do secretário de Saúde.
“Não somos contra o futebol nem contra o esporte. A questão é prioridade. A população precisa encontrar medicamentos, estrutura adequada e profissionais suficientes quando procura uma unidade de saúde. É isso que estamos cobrando da gestão”, afirma a presidenta do Sindsaúde, Néia Vieira.
“O que vemos na gestão Mabel é uma tentativa deliberada de descaso com a rede pública para justificar a terceirização como solução para os problemas do município. Mas esse caminho não resolve a situação estrutural, gera descontinuidade dos serviços e aumenta vínculos precarizados de trabalhos. O que Goiânia precisa é fortalecer o SUS público, investir nas unidades, valorizar os servidores e convocar trabalhadores concursados”, enfatiza Néia.